quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Wolfe ilustra "O Espírito de Nossa Época" a partir do sexo, da arte, da neurociência e do jornalismo


por Maurício K. Tomedi

O escritor e também jornalista norte-americano, Tom Wolfe (fotos), 78 anos, esteve no Salão de Atos da UFRGS para ilustrar "O Espírito de Nossa Época", tema do Fronteiras do Pensamento - espaço designado à reflexão de assuntos emergentes na sociedade contemporânea.

O autor de "A Fogueira das Vaidades" (1984) destacou quatro aspectos-base para desenvolver sua análise acerca da cultura pós-moderna e dos rumos da nossa história:

1°) "A repressão sexual é o que nos faz humanos"

Segundo Wolfe, o controle do exercício da sexualidade é o que nos diferencia dos macacos. No entanto, esse comportamento está, gradualmente, cedendo às transformações provocadas pelos jovens. O escritor explica que, antigamente, os quatro níveis que subdividiam a evolução de um relacionamento eram:


1.
O beijo.
2. O beijo francês (com carícias corporais).
3. O sexo oral.
4. A consumação.

Ao estilo irônico, compara o modelo clássico ao processo de hoje, que é quase ao inverso.

1. O beijo das línguas enlaçadas.
2. O sexo oral.
3. O sexo.
4. A apresentação.


2°) Em defesa da estética individualizada


A nova concepção da arte também traduz a sociedade em que vivemos. Irreverente, Tom Wolfe critica as obras que são "produzidas para satisfazer o gosto da aristocracia charmosa", usando como exemplo os autores que se dizem artistas fotografando outras obras.

Para o jornalista nascido no estado da Virgínia, a arte é uma experiência estética individual e, tem a obrigação de oferecer prazer ao consumidor, atendendo ao gosto do público. Suas ideias concordam com o pensamento do filósofo francês Edgar Morin.

3°) Descrético ao livre-arbítrio